segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Estão Tentando a Morte da Poesia (*)

Herbert De Jesus Santos (**)

Pelo que venho clamando no deserto,

estão tentando matar a Poesia,

em troca do poder mais abjeto,

aceitam, letal, sua asfixia.

Seus cavaleiros bateram em retirada,

porque se deixando a Terra Santa aos infiéis,

só temos notícias das cruzadas

e dos homens que luziam seus lauréis!


Com medo de culpar palácios,

agora, não são mais do que piões,

ou capachos do humor dos paços:

Palácio do Governo – o dos Leões;

Clóvis Beviláqua – o da Justiça;

La Ravardière – a Prefeitura;

Arcebispado da Sé;

Manuel Beckman – Assembléia;

Câmara – Pedro Neiva de Santana,

que, fazendo jus ao meritório,

com a cara na palma na mão,

todos têm culpa no cartório

pelo atraso social do Maranhão.


São tão culpados quanto os palácios,

os que permitem o descalabro

que massacram a população.

Não há nenhum levante de pena,

como valiam a pena os de antanho.

Há menos ovelhas com catecismo

e mais analfabetismo no rebanho.

Mais propaganda enganosa,

com riqueza na televisão,

pois a miséria, em rebordosa,

tem 70 por cento no chão.

Adestram a burra escabrosa,

que come do povo o pão.

A saúde pública bem-sucateada,

e a particular, em mansão,

o pobre morre na estrada,

sem um bom hospital no rincão.


Poetas, que defendiam as nossas cores,

que eram os Campeões da Cidade,

pois tomavam, ao menor ai, as suas dores,

e não consentiam a falsidade,

são mais conferidos nos dedos,

os que combatem o bom combate.

Não têm mais saco nem âmago,

para a causa devida:

ou pensam com o estômago,

ou só pensam nele na lida.

Tiram de letra tanto a Academia,

que podia ser gigante, e encolheu

(como tentam matar a poesia,

por egocentrismo fariseu),

ao chão, onde seria cumeeira,

se ao bem-comum desatasse os nós,

porque covarde não ergue nossa Bandeira

do Povo, que só é mortalha para heróis!


Até a plebe de Roma

era cerebral em premissa

de que só em estado de coma,

não há Direito e Justiça.

Aqui, há mais guabirus

que urubus na carniça!

Mesmo na Roma de “causa cessou”,

nem “deus” matava o vencedor!

Não dava a César o gladiador

que vencia a morte na arena,

a massa fazia até imperador

respeitar a sua sentença.

“César, os que vão morrer te saúdam”!,

era mais honra aos que melhor lutavam.

Por distinção de classes, ou defeitos,

para quem nunca mostra o rabo –

ricos, sabe Deus como, são seus eleitos! –,

pois a maioria, pobres-diabos!

Por isso, tentam matar a Poesia,

que não deixa o Povo na mão,

e luta por ele, e a mentira não consentiria

de “Viver é bom demais no Maranhão!”

Aqui, os césares de igual rancor

só querem dar ao Povo rumo (in)certo:

o pão que o Diabo amassou

e um imenso circo a céu aberto!

(*) Poema do livro São Luís em PreAmar: Ainda Assim, há um Azul!, de 2005.
(**)Jornalista, poeta e do IHGM

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